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IMPRENSA

As tatuagens da gravidez

Revista Crescer, secção Pós-Parto
2014/2015

Sociedade Civil (IX) Anti Envelhecimento

Sociedade Civil (IX)
Anti Envelhecimento – Episódio 117, RTP 2, 30 Junho 2014

Corta e cola: a cirurgia plástica e os jovens

Diogo Fernandes, Fábio Silva, Filipa Sousa e Pedro Ferreira
Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Curso de Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria e Multimédia

Na cirurgia não há milagres

Foi um acidente absurdo, aquele da última quarta-feira de Outubro. Subitamente, quando manobrava uma máquina de dobrar chapas, o Pedro, de 21 anos, ficou de um lado e as suas duas mãos do outro. Duas horas depois, no Hospital de S. João, no Porto, a cirurgiã Marisa Marques e duas dezenas de médicos e enfermeiros recusaram as ironias do destino e atreveram-se desafiá-lo.
Ao longo de 18 horas, os especialistas de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva, Estética e Maxilofacial e de Ortopedia, lutaram contra a exaustão, num trabalho de delicada precisão e infinita persistência, na tentativa de devolver as mãos ao jovem serralheiro. 

Pedro deverá recuperar cerca de metade da funcionalidade e sensibilidade das mãos, o que lhe garante uma autonomia libertadora. Para Marisa Marques, aos 34 anos, estas são as recompensas que dão sentido a uma vida.

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Equipa do S. João devolveu mãos amputadas a jovem

Álvaro Silva, Marisa Marques e Sérgio Silva lideraram a equipa que reimplantou as duas mãos de Pedro
Pedro já percebeu que o mindinho esquerdo não se vai salvar. Mas sorri. Tem fé que os restantes nove dedos das mãos sobrevivam. E lhe permitam viver sem precisar da ajuda de terceiros no imenso resto de vida que tem pela frente. Pedro tem 21 anos, perdeu ambas as mãos numa máquina de dobrar chapas na passada quarta-feira e espera agora a próxima semana para saber se as reimplantações a que foi sujeito no Hospital de S. João, no Porto, cabem nos 50% de casos em que a intervenção é um sucesso.

A intervenção é inédita em Portugal, por envolver ambos os membros, e ocupou duas equipas médicas ao longo de 18 horas. O sucesso que, bem dobradas as 72 horas desde a saída do bloco é possível augurar, deve-se muito ao pouco tempo que decorreu entre o acidente, ao fim da tarde de quarta-feira, em Amarante, e o início das reimplantações, menos de duas horas depois.
No meio do azar, valeu a Pedro o facto de ser dextro e de a mão direita ter ficado amputada horizontalmente pelo punho (amputação transcarpiana). E, portanto, com um prognóstico superior ao da mão esquerda, seccionada obliquamente (amputação transmetacarpiana). O facto de a esquerda ser a mais difícil de recuperar levou o ortopedista Sérgio Silva a começar pela estabilização óssea da mão direita, enquanto a equipa de cirurgiões plásticos (Marisa Marques e Enrique Sanz) procedia à referenciação dos vasos da mão esquerda. Um trabalho dificultado pelo tipo de corte que Pedro sofreu. Lento, levou à maceração dos tecidos obrigando a enxertos de veias, “o que piora o prognóstico”, explicou Marisa Marques.
A intervenção, segundo os médicos, correu bem, apesar de se terem registado diversas paragens de circulação em ambas as mãos, devidas a tromboses ao nível das anastomoses (zonas em que foram ligados os vasos). E é justamente essa dificuldade – contrariada no resto dos membros amputados – que explica a falência do dedo mínimo esquerdo. Mas “Pedro está consciente disso” e percebe que, “levadas ao limite”, as suas reimplantações não permitem novas tentativas. A solução passaria por refazer um dedo a partir de tecido de outra zona do corpo, o que atrasaria a recuperação da funcionalidade das mãos. E se a viabilidade das reimplantações só pode ser dada como certeza dentro de uma semana, o início da recuperação da funcionalidade das mãos precisa de um mês, com tratamento fisiátrico.

JN – Publicado em 2005-11-02

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